Bob Fernandes

RSS
Comentários
28
Comentar
Fechar X

* campos obrigatórios

  1. Este campo será mostrado junto ao seu comentário.

  2. AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião de Terra Networks Brasil S.A. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. Terra Networks Brasil S.A. poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

Comentar

Cerimônia da Abertura (Foto: Marcelo Pereira/Terra)

Meia noite e quatro minutos. Depois de flutuar e passear em câmera lenta pela cobertura do estádio, Li Ning, 6 medalhas em Los Angeles /1984, acende a pira dos Jogos Olímpicos de 2008. No mesmo instante, toneladas de fogos de artifício iluminam o céu, acendem a noite de Pequim. No Estádio Nacional Ninho do Pássaro, entre mais de 90 mil espectadores, um homem está especialmente feliz. E realizado. Zhang Yimou.

Cineasta premiado em Cannes e Berlim, Yimou, 56 anos, um “reeducado” da revolução cultural maoísta, foi o diretor artístico e comandou 10 mil figurantes na cerimônia de abertura dos jogos. De arrepiar o passeio de estética futurista sobre a história da China. Futurista e de uma disciplina militar.

Luz, sombras, ondas humanas high tech, fogos de artifício, música, e o que ele mesmo chamou de os 4 tesouros dos 5 mil anos da vida chinesa: a tinta, o tinteiro, o pincel e o pergaminho, o papel. 

Precisamente às 8 horas e 8 minutos da 8ª noite do mês 8 de 2008 se ouviu o primeiro e uníssono Oooohhhhhh por todo o estádio. De arrancar lágrimas, a seqüência de luzes e tambores, de homens e mulheres a voar como pássaros. Até que, pelas 10 da noite, o desconforto, o mal-estar, começam a suplantar a beleza.

Dia de extrema poluição, a capital da China encoberta por espessa névoa desde a manhã. Os 33 graus ficaram fora do Ninho. Aqui dentro do estádio, sensação térmica de 40 graus. Suportáveis com muito líquido na primeira hora e meia, devastador no restante da cerimônia de mais de 4 horas.

O show começou bem antes, com a inevitável apresentação de 27 grupos e temas regionais; os leões dançarinos do Cantão, os leões acrobatas de Cangzhou, os cavalos galopantes, a dança do atum com o bambu roxo, a dança da lótus florida,  as danças de Yanbian, Jishan, Lanzhou… e por aí afora.

Pouca atenção da platéia, mais interessada no ensaio para a interação com a festa da abertura; lanternas e bandeirolas, mini-tambores, lenços, todo um arsenal para cada um dos presentes. Registre-se que alguns espectadores brasileiros na arquibancada combinavam acender as lanternas na hora dos lenços agitados, tocar os tambores no momento das bandeirolas…

O China Daily, jornal oficial do governo, já dera uma pista no início do dia. Na véspera o presidente Hu Jintao recebera 11 dos 77 líderes estrangeiros que passariam por Pequim. Nas páginas nobres do China Daily apenas uma foto de Jintao: abraçado com Lula. E o presidente do Brasil estaria na primeira fila, próximo a Jintao, na cerimônia de abertura. Bush, lá no fundão. Sarkozy também no fundão. À direita.

Lula chegou à tribuna às 19h35, um dos primeiros. Dez minutos depois já estava sem paletó, que voltaria a trajar quando da chegada do colega chinês. Às 8h08, tem início o show que bilhões de espectadores acompanhariam mundo afora.

Duas horas depois, o interminável desfile das delegações. A platéia não esconde suas preferências. Aplausos especialíssimos para aliados, de ontem ou de hoje: Cuba, Irã, aplausos para o Brasil… aplausos para os 8 representantes do Iraque. Aplausos para os Estados Unidos. Entre aplausos tímidos, apenas um personagem recebeu também vaias ao ver surgir seu rosto nos dois telões: George Bush Jr.

Na pista por onde desfilaram milhares de atletas - são 11 mil inscritos por 204 países -, somente um rosto estranho à festa. A delegação do Bahrein passa exibindo a foto de uma figura certamente ilustre no país em questão; a quem se interessar, Wikipédia e Google.

Tudo muito lindo, muito maravilhoso, emocionante, amanhã a coisa começa pra valer, mas antes de encerrarmos, uma última observação.

Como já dito acima, 40 graus e a névoa. Pelo menos uma hora de fila para entrar no estádio, mais uma meia hora de caminhada. Imaginem, caros e caras, as meias dentro dos tênis e sapatos…! Calculem o que se passou quando os 90 mil espectadores levantavam, ao mesmo tempo, os braços? Um cecê olímpico no abafadíssimo Ninho do Pássaro.

Está aberta a temporada de caça às medalhas.

. 

Veja também:

» Diário da China
» Confira as informações de Terra Magazine
» Acompanhe as últimas notícias das Olimpíadas

28

Comentários

Comentar
Visualizando 1-5 de 28
  1. bernardo » Postado em: 9 de agosto, às 13:42

    Rei jean. Eu li errado ou vc entrou as 4 e 3 da madrugada pra tentar criticar o blogeiro? Quem tá acordado a essa hora, ainda mais um milionário como vc se diz? Que bandeira cara. Tu é jornalista e ta num plantãozão danado. E vc escreve “conteúdo desproporcional ao destaque”, “desfarçar”. Cara, pede pra c….ar e sai. Muito ruim. Tudo. O vacilo, o texto a inveja. Aprende a jogar o jogo e então se volta de novo Rei Jean carlos.

  2. monica » Postado em: 9 de agosto, às 14:53

    Nem sou muito ligada em olimpiadas, acho tudo um exagero. tem coisas muito mais importants!

  3. Rei Juan Carlos » Postado em: 9 de agosto, às 15:39

    bernardo: Acho que podemos parar com teorias de conspiracao. Eu sou um mero critico, que nao tenho nenhuma ligacao com jornalismo, literatura, linguas (como voce mesmo percebeu pelo meu portugues precario). Acho ridiculo ter minhas criticas (negativas ou positivas) censuradas sob esse pretexto infantil de perseguicao ou inveja (ora bolas, eu nem sabia quem era bob fernandes antes de ter lido o texto do Nadal). Por fim, podemos parar de falar sobre nos, e ao invez disso falar sobre o texto (seja positivo ou negativo) ou assuntos que ele levante ? Seria mais construtivo, nao?

  4. jus » Postado em: 9 de agosto, às 16:20

    bob, boa!

  5. Aline Lemos » Postado em: 17 de agosto, às 18:08

    De todos os atletas que estão em Pequim a medalha mais aguardada era a de Diego.
    Desde ontem vejo reportagens sobre essa final de hj, mesmo o atleta estando bem concentrado axo q isso influencia na hora da pratica do exercicio.
    Ele não está ali só por ele, mas pelo nome de uma nação que depositou nele a esperança no esporte, já que na politica e no desenvolvimento social não temos palavras para descrever o q a nação sente.

    Diego, levante a cabeça. Outros brasileiros erraram e nem por isso deixaram de ser, a posteriori, idolos.

    Vc eh vencedor desde já!

    Força garoto.

Bob Fernandes cobriu a Copa América de 2007 pelo Terra Magazine e, como cronista, esteve em três Copas do Mundo.