Bob Fernandes
Chuva, recorde e política em Pequim

Chuvarada em Pequim. Uma bênção. Ainda que tenha adiado a estréia do Federer. As boas de hoje se deram na abertura e fechamento do domingão. Pela manhã Phelps, o orecchione, jantou a piscina, os 400 medley, seu primeiro ouro na China e o recorde mundial com 4min03s84. À noite, um aguardado e sensacional China e Estados Unidos no basquete. Sensacional por conta da política dos grandes e tudo mais que cerca a partida.
O Félpis, depois do ouro, contou que não se sentia bem. À tarde, ficou atrás do suíço Dominik Meichtry numa eliminatória para os 200 livre. Thiago Pereira, em 8º e último no passeio do Félpis, também disse não ter se sentido bem. Ok, outras virão nos próximos dias.
No aperitivo de Brasil e Egito, vôlei masculino, a Venezuela do técnico brasileiro Ricardo Navajas levantou o ginásio Capital e a torcida chinesa no EUA 3 Venezuela 2. Nos dois primeiros sets 25 a 18 para os EUA. No terceiro e quarto sets, 25 a 22 e 25 a 21 para a Venezuela. No quinto, os norte-americanos fizeram15 a 10.
David Lee foi muito bem no bloqueio e Clayton Stanley fez 21 pontos para os EUA em 33 ataques, mas magnéticas foram as cravadas do venezuelano Ivan, desde já, O Terrível. Ernardo Gomes fez 17 pontos e Ivan 8. Muito bom assisti-lo a subir próximo à rede e a vontade nas pauladas que levantaram um time previamente derrotado.
O Brasil na quadra. Como na estréia feminina contra a Argélia, uma partida fácil - às três da madruga hora daí. Três a zero com 25 a 19, 25 a 15 e 25 a 18. Para quem estava na tribuna de imprensa mais à direita da quadra, uma atração à parte. O chinês Tony, 14 anos, 1,87m.
Morador da interiorana Hebei, Tony (tradução do seu nome) estuda e joga vôlei no Nº1 Middle School. Ao lado de um amigo e uma amiga, Tony assistiu a Brasil e Egito sem conter os gritos. Giba voava da linha dos três metros para cravar e Tony acompanhava o vôo: “Uuuuáaaaaaa…”. Dante no ar, o fã chinês mandava: “Uuuuuutcháaaaa”. Ouça aqui instantes do êxtase de Tony, que depois do jogo diria:
- O Brasil é o time mais maravilhoso e surpreendente do mundo e o Giba é um monstro…
No vôlei do Brasil, masculino e feminino, dois personagens e situações que revelam um traço do caráter, da alma de uma porção bastante razoável do povo verde amarelo. Os dois são Bernardinho e Mari.
A ex-oposto e agora ponteira do Brasil é pouco mais que uma garota aos 24 anos. Personificou a derrota da equipe em Atenas, foi mal também no Pan? Sim, mas apenas humano, e está em Pequim por sua própria luta e talento.
À espreita, aí e aqui, a sofrer num anonimato que os incomoda, os ressentidos. Esfregam as mãos, fazem previsões, esperam o fracasso alheio, torcem mesmo pelo fracasso para saltar em cima e tentar devorá-la. Um desejo: sobreviva, Mari, vença os abutres.
Bernardinho é o outro personagem. Ontem, depois do jogo, se queixou e citou a síntese do baixo espetáculo, o BBB. O técnico do Brasil certamente deve conviver com críticos, mas rejeita o circo. (A propósito, leia aqui.) O cara ganhou tudo nos mundiais e olimpíadas, mas o departamento de engenharia das obras prontas já ensaia.
O alvo para atingi-lo é Bruno, o filho e levantador reserva. Não há como discutir, por desconhecimento, as razões reais e profundas do desentendimento entre o técnico e o levantador ausente, Ricardinho. Mas a urubuzada seca, reza pela derrota, se prepara para exumar a briga e pregá-la na história do vencedor Bernardinho.
Foi desse clima que Bruno falou ao final do jogo com o Egito: “Eu e o Gustavo brigamos, sim, e todo mundo briga todo dia, uma equipe é assim mesmo.” O levantador tocou no constrangimento criado em torno da relação pai-técnico e jogador: “No começo foi muito difícil”, contou antes de confessar:
- …tanto que eu não consigo chamá-lo nem de pai, nem de Bernardinho… eu não chamo ele nunca, até porque é ele quem me chama o tempo todo…
Pergunta: Bruno, você conhece aquele frase do Tom Jobim que diz, mais ou menos assim, que no Brasil o sucesso alheio é uma ofensa pessoal?
Bruno, depois de arregalar os olhos, surpreso, e sorrir:
- …não, não conhecia mas isso é bom, muito bom…tem tudo a ver…vou usar a partir de agora.
Na quadra do Ginásio Olímpico, jogam Estados Unidos e China. Kobe Bryant e companhia de um lado, Yao Ming e troupe do outro. Torcida, é incrível, quase dividida. Na arquibancada, George Bush Jr., George Bush Pai e Henry Kissinger. Mas essa é outra história. Como nem todo dia é dia de filé, mesmo numa olimpíada, essa fica para amanhã.
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Veja também:
» Diário da China
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» Acompanhe as últimas notícias das Olimpíadas
Se o Bob Fernandes escreve bem ou mal, nem chega ser relevante. Na Carta Capital, de vez em quando, ele dava lá suas derrapadas no estilo… ops… esta é a palavra: estilo. O que o cara tem é estilo e isto é indiscutível. Um estilo maneiroso, meio coloquial, mas sejamos sinceros: ele tem estilo. Ninguém me mandou aqui ler o blog do Bob… ninguém me obrigou… li por que quis. Leio e volto diariamente porque quero e gosto, talvez nem do estilo, mas da inteligência com a qual é formatada a idéia que se transforma em texto. Falando em inteligência… o Diego, se não gosta, seja inteligente e vá ler outra coisa.
bah, mas gostei muito deste sábio que comparou o Bob ao Paulo Coelho!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Bob!!!!! que bola cheia!!!
elsa
Cara, sem palavras… Te admiro cada vez mais!
Parabéns e sucesso.
E a tapioca ai como é servida? Aceitam cartão corporativo?
Nossa! Um desocupado - esse que vos escreve - passou e leu os comentários.
Viu então que outro desocupado-infeliz passou e fez críticas ao texto de um blog.
Surpreendentemente mais desocupados se encarregaram de fazer a defesa do blogueiro.
Ocupado mesmo deve ser o blogueiro, nem apareceu no rebosteio.