Bob Fernandes

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Yelena Isinbayeva (Foto: Marcelo Pereira/Terra), Marta e Cristiane (Foto: AP)

Uma noite de mulheres maravilhosas na China. Em Pequim, o público lota o Ninho de Pássaro e se emociona com o talento e a beleza da mega-atleta russa Yelena Isinbayeva, ouro, recorde olímpico e mundial no salto com vara. Em Shanghai, Marta e Cristiane comandam exibição de gala, fazem dois gols de cinema nos 4 a 1 sobre a Alemanha e levam o Brasil para a final olímpica contra os Estados Unidos.

Salto em distância, arremesso de peso, 400 metros com barreira, 3 mil metros, 200 metros… homens e mulheres disputam provas no Ninho de Pássaro. A atenção do público se dispersa pelas várias e sucessivas provas. Até que o locutor anuncia e os telões mostram: Isinbayeva, 26 anos, superstar nos Jogos de Pequim. Tudo o mais se eclipsa.


A brasileira Fabiana Murer, desaparecido o objeto com o qual se salta, está fora da prova, não ultrapassou os 4m65. História rocambolesca, até o fechamento desta edição prosseguia a busca pela vara perdida, com desabafo e as inevitáveis lágrimas.

As varas, a bem da verdade, pois são 10. (Leia aqui). Fabiana Murer, irritada, passa em frente às arquibancadas, protesta com gestos largos, mas ninguém percebe. Todos os olhos e atenções são para Isinbayeva e seus rituais.

O edredon branco está ao lado da pista e ali ela se enfia antes de cada tentativa. Dois, três minutos depois, a russa sai do seu templo a murmurar o mantra que só abandona quando dispara rumo ao salto.

O que diz Isinbayeva nesses instantes, olhos verdes a faiscar, segue sendo mistério. Meia dúzia de russos são consultados na arquibancada e a resposta é a mesma: ninguém sabe, só ela. Algum internauta, russo e especialista em leitura labial, certamente saberá – excluídas, por favor, opiniões heterodoxas.

Ela está nos telões. As unhas pintadas na cor café, o sarado abdômen à mostra, o shortinho azul, colado mas não o suficiente para impedir as sugestões côncavas e convexas.

Duas tentativas e não alcança 4m95. Isinbayeva pede e o público acompanha com palmas ritmadas a terceira e última chance. Cai já a comemorar e eletriza a platéia. Bate o seu próprio recorde olímpico, 4m91 em Atenas. O ouro já está garantido, mas a russa quer mais nesta noite. Quer o recorde mundial, e o público quer viver a história.

As câmeras deslizam, passeiam, dos olhos magnéticos descem lentamente até a sapatilha azul clara, e acompanham todo o ritual: o edredon, o spray na vara e nas mãos para evitar a umidade e dar aderência, o mantra, e aquele olhar que não deixa dúvida alguma. Ela vai superar, ela vai ganhar.

De novo o erro nas duas primeiras tentativas, o suspense, o Ninho de Pássaro em silêncio até ela novamente comandar as palmas na derradeira chance de quebrar o recorde mundial. Nas arquibancadas e tribunas, excitação e emoção quase palpáveis. Quando a russa ultrapassa o sarrafo e os 5m05, o clímax.

Isinbayeva toca no colchão já sabendo que chegou, mais uma vez, ao topo. A câmera flagra o árbitro de paletó azul a saltar de braços erguidos, vibrando e comemorando ao mesmo tempo em que a recordista mundial grita, se ajoelha, dá uma cambalhota e inicia um outro ritual: o da consagração.

A multidão viveu a história nos Jogos de Pequim, é alegre e ruidosa a saída do Ninho de Pássaro nesta noite de lua cheia.

Em Shanghai, também momentos de raro talento e beleza plástica. Nos canais da televisão chinesa duas cenas se repetem. As estrelas são Marta e Cristiane, da seleção brasileira de futebol feminino.

Marta escapa pela direita, ultrapassa a marcadora, toca com sutileza e vence Angerer no terceiro gol do Brasil. O toque de Marta no contrapé da melhor goleira do mundo lembra Bebeto no 1 a 0 contra os Estados Unidos, na Copa 94.

A arrancada de Cristiane aos 29 do segundo tempo para fazer o 4º gol já é das imagens mais memoráveis dos jogos. Quase duas da madrugada e a TV chinesa mostra e mostra de novo em câmera lenta a progressão de Cristiane por entre quatro adversárias, a sucessão de meneios e dribles e o toque de pé direito, outra vez no contrapé de Angerer. Uma noite de lua cheia, talento e beleza na China.

Veja também:

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  1. Jefferson » Postado em: 19 de agosto, às 19:07

    Sinceramente é facil colocar a culpa no Dunga, ele pode até não ser um bom técnico, mas todos nós sabemos que o Brasil nunca fez um planejamento olímpico, como é então que vamos ganhar o Ouro tão desejado? Podia ser o Felipão, o Luxa ou qualquer outro, não iria adiantar se a CBF e o COB não levam a Olímpiada a sério…Temos que ficar atras no quadro de medalhas de potencias como: Azerbaijão, Quenia, Geórgia, Eslovênia entre outros, é mole? É uma Olim Piada isso sim…

  2. Heriberto Piva » Postado em: 19 de agosto, às 22:02

    É isso ai mulherada, chinelo nos marvados. Mostra pros marmanjos que mulher faz filura mas tambem faz gol. Piaba neles muié !

  3. ANGELA GERALDINE » Postado em: 20 de agosto, às 12:54

    É FACIL COLOCAR A CULPA EM ALGUEM , NESSE CASO O DUNGA LEVA SEMPRE AS HONRAS, SE TIVESSE VENCIDO ELE SERIA O MELHOR, COMO NAO VENCEU ELE E O CULPADO, VERGONHOSO VIVER NO MEIO DE PESSOAS QUE VIVE PROCURANDO CULPADOS, AO INVES DE DAR APOIO AQUELES QUE MESMO SEM SABER O FINAL DA HISTORIA DERAM A CARA PARA BATER EM NOME DE UMA NAÇÃO.

  4. Paulo » Postado em: 20 de agosto, às 17:50

    Não devemos apenas culpar o técnico, mas sim todos os jogadores e principalmente os cartolas pela atual fase que a seleção brasileira se encontra (A anos tenhamos que concordar!!!)…
    Achar apenas um culpado e massacra-lo é fácil, gostaria de ver o jogadores tendo “vergonha na cara” de assumir que não são dignos de vestir a camisa da seleção e do Sr. Ricardo Teixeira parar de manipular a escalação/convocação conforme os seus interesses e seguir talvez o exemplo das demais seleções que ainda jogam com o coração e não apenas pelo comercial….

  5. carlos » Postado em: 23 de agosto, às 21:41

    O BRASIL ainda quer realizar jogos em 2016, primeiro o governo tem que reformular o sistema de ensino escolar com periodo integral e uma carga muito grande de educacao fisica e esporte para todos e nao so para quem tem filhos em escola particular, pois tem muito pobre que pode um dia ser medalha de ouro, ou pelo menos nao ser mais um bandido que o proprio governo cria e depois tem que gastar o triplo com bandidos sem obter resultado. so com a educacao que o brasil vai mudar de verdade, e comecar agora para ter um belo resultado no futuro, pois as criancas que estudam em escola publica hoje infelismente o futuro e duvidoso.os ESTADOS UNIDOS tem um numero grande de medalhas devido um bom investimento em criancas vao para escola cedo e so voltam para casa a tarde durante este periodo nao se encontram uma so crianca na rua, pois se a policia pegar uma crianca andando a toa os pais podem estar arranjando uma encrenca muito grande.Tudo que e levado a serio no BRASIL e ouro. entao governo pense nisso. pobre tambem pode ser ouro. senao pode virar bandido.

Bob Fernandes cobriu a Copa América de 2007 pelo Terra Magazine e, como cronista, esteve em três Copas do Mundo.