Bob Fernandes
O vôlei, o You Tube e o bigode

Sábado, ressaca geral da abertura. Mas a luta continua. De um lado, 11 mil atletas. No rastro, 21 mil jornalistas. E mais uns poucos com a credencial olimpic family, que dá acesso ao céu. Chad Hurley, fundador do You Tube em companhia de Steve Chen e James Karim, é um desses mortais incomuns com acesso a tudo, quase tudo, em Pequim.
Chad, que se não pesquisei errado fez um negocinho com o Google na casa do US$ 1,16 bilhão, ainda assim se encanta com o poder; grana é grana, poder é poder. Convidado do Comitê Olímpico Internacional, hospedado no mais quente dos hotéis da cadeia Beijing, Chad foi visto a murmurar, extasiado, enquanto segurava o objeto mais disputado na capital nesses dias:
-…essa credencial abre qualquer porta em Pequim…
Sábado, menos de 12 horas depois da belíssima mas também longuíssima festa de abertura com suas 4h e 10 e sensação térmica de 40 graus -fora o bafo úmido- e já tinha vôlei. As meninas, contra Argélia. Chad não estava lá, nem os príncipes e princesas, todos na ressaca e se guardando para o Michael Phelps, o Félpis, à tarde.
Detalhes físico-tático-técnicos vocês certamente verão nesse mesmo Terra e no blog de quem é rainha no ramo, a Fernanda Venturini. Aqui, o olhar leigo. Que viu um passeio, um treino contra Argélia no 25 a 11 em dois sets e 25 a 10 no terceiro.
Mesmo quem só jogou no Cásper Líbero e no time da cidade lá em Bragança Paulista, na equipe do professor Marião, viu que a esguia Fabiana (foto acima) sobrou na quadra. E ouviu no pós-jogo que a Mari parece e anuncia estar com sede de apagar Atenas e o Pan da memória.
Aos olhos verde-amarelos esse é um dos tira-teimas dessa olimpíada: e a Mari, vai ou não vai subir de andar? É tema presente em todas as conversas e rodas do reportariado, mas quase sempre ausente na presença dela.
Sim, sabemos que um time não é só a Mari, a Fabiana, ou a Paula, a Fabi, e que o-volêi-é-um-jogo-de-equipe-e-uma-família-e-todas-estão-unidas-como-pediu-o-professor, mas num sábadão de ressaca com aquele bafo pequinês… Agora, vêm as russas. Hora de saber até onde se pode chegar.
Fim da tarde. Muita gente no Cubo d’água pra ver o Phelps. Recordista mundial e olímpico, fenomenal; até no orecchione esquerdo, um dumbo. Nas cadeiras à beira da piscina, a torcida de luxo. Alexander Popov (foto acima), o russo que um dia também foi fenomenal e recordista nas águas, e senhora. Na mesma bancada, um príncipe. Mas é tanto nome e letra que só no próximo parágrafo.
Felipe Juan Pablo Alfonso de Todos los Santos de Borbón y de Grecia, o príncipe de Astúrias, e senhora Letizia. A credencial era aquela do céu, mas o príncipe torceu como plebeu pelo espanhol Javier Nunes. Em vão. No 24º lugar, Javier não vai à final.
Thiago Pereira entrou na 8ª e última vaga. Há quem tenha ouvido “Vai Thiago, Vai Thiago”, mas até o fechamento desta edição pairavam dúvidas sobre a presença ou não da senhora sua genitora. Neste domingo pela manhã a finalíssima dos 400 medley masculino.
O Félpis. Vocês viram aí na telinha e nós aqui também, na table top, mas ao vivo é mais impressionante. O orecchione é um tubarão. Morde a água e desliza. Dois corpos de vantagem sobre o húngaro Laszlo Cseh durante boa parte da prova e quase dois segundos no final. Recorde olímpico com 4:07.82.
O norte-americano traiu a promessa feita na coletiva desta semana. Raspou a barba, como disse que faria, mas tirou também o bigodão à Fumanchú. Em tempos de maiôs milagrosos que emprestam milionésimos de segundos nem mesmo o Félpis nadou com alguns pêlos a mais.
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Michael Phelps. Fenomenal.

Ao telefone, sobressalto: “Corre que o Phelps vai falar…”. Já somos todos bróders do nadador recordista norte-americano Michael Phelps. Ele já é o Félpis. A entrevista, ou melhor, a vula até que a horda midiática chegasse à sala principal do centro de mídia, será momento indelével na história dos jogos de Pequim.
Enquanto os 5 manifestantes - 3 norte-americanos e 2 ingleses - eram detidos por protesto ao lado do estádio olímpico, o Ninho do Pássaro, a tropa da mídia avisada a tempo zunia em busca do Félpis.
Dos 780 lugares da sala – um teatro, para ser preciso – uns 500 estavam ocupados logo no início. Só de câmeras de TV e Internet, 78. Não lotou de cara porque muitos não souberam e outros, apesar da vula, não tiveram como se livrar rapidamente dos abdômens. Com 10 quilos na sacolejante mochila, ultrapassei os mais despreparados. Chegar ao Félpis foi puro Darwin.
Mesmo quem só freqüenta a banheira ou o bidê sabe que o cara é um monstro: seis ouros em Atenas, recordista mundial nos 200 metros livres com 1 minuto 43 segundos e 86 milésimos, nos 200 borboleta com 1.52 e 9, nos 400 medley com 4.05 e 26 e nos 200, também medley, com 1.54 e 80. E mais recordes olímpicos, norte-americanos…
O Félpis já é uma lenda, mas o que mais impressionou quando estive a 10 centímetros dele foi a lapa de orelha. A esquerda. Nem o nosso Daniel tem um orelhão daquele. Com tal obstáculo, não há como duvidar que o sujeito nada uma barbaridade. Consultados, especialistas discorreram sobre uma tese.
Ora, se o LZR, o tal maiô novo, empresta aos nadadores mais alguns milionésimos de segundo, é seguro que um orecchione daquele faz o Félpis perder alguns milionésimos. Mesmo com a touca, uma vez que a referida não tem como comprimir tanto assim a lapa. Até aí, os experts concordam. O dissenso brota quanto ao nado de costas.
Alguns especulam: como a cartilagem da porção anterior da orelha é menos flexível, um orelhaço como aquele explicaria porque Félpis não bate recordes no nado de costas; em natação os milésimos são uma eternidade, portanto o tema tem sido objeto de acirrados debates.
O cavanhaque do Félpis, outro exemplo, foi motivo de pergunta na entrevista com os 500 repórteres; numa conta ligeira, se não me engano éramos 125 dos nossos para cada braço ou perna do Félpis, ou 25 jornalistas para cada dedo da mão e do pé. Ou, ainda, 250 para cada orelha. Mas vamos ao cavanhaque e à pergunta:
- Você vai nadar com o Fumanchú?
Gargalhadas na platéia. Tranqüilão, modesto, um recordista mundial e olímpico que zanza pela vila e espera pelo ônibus meia hora em pé como um mortal comum, Félpis arrancou mais gargalhadas ao responder que sim, que vai nadar de bigode e correrá o risco de perder algum milionésimo.
Quase me esqueço: além dele, toda a equipe de natação dos EUA deu entrevista. Em dois turnos. No primeiro, outro destaque foi Dara Torres. Aos 41 anos em sua quinta olimpíada, Dana conseguiu ser delicada e acrescentar um “mas vou responder à sua pergunta”, depois de dizer:
- … 41 anos?… já respondi a essa questão umas 2 mil vezes…
O Félpis saiu e parte da horda, outra vez numa vula, disparou no rastro. Não sei se vula tá no Aurélio, mas sigo lição básica do mestre Sírio Possenti: se alguém fala, existe. Na infância, Beth, Fred, Christina, Edson e Ricardo, meus irmãos, falavam.
Ao deixar a sala, o Félpis passou a 10 centímetros. O reportariado tem o cara como tão chapa que ao final da conversa ele já era o Fél. Quase digo ao bróder Fél: “Isquiiito, negão, isquiito. Tetelino, té”.
“Isquiito”, ainda nos tempos da vula, significava tá limpo, “não tem mosquito negão”. Tetelino, té, não sei o que é até hoje. Me arrependi por não ter sapecado um “isquiito”, pro Fél. Não teria sido nada demais, pelo que vi e ouvi. Uma repórter norte-americana mandou:
- Phelps, o que você teria a dizer para as pessoas de Baltimore?
Na segunda rodada de entrevistas, Katie Hoff, que também nada pelo Baltimore Club, ouviu da mesma repórter:
- Você que também é filha de Baltimore (Hoff nasceu em Palo Alto, Califórnia) fala com o Phelps…?
Teletelino, té.
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Comentários
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- Luis » Postado em: 7 de agosto, às 16:03
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Que absurdo… cada dia que entro aki me espanto ainda mais… com a falta de um pensamento critico e a passividade… nao tenho nada contra o Bob… sou leitor do terra… e assim como leitor tenho o direito de ir e vir… Grandes Cronistas sempre foram criticos… o Bob infelizmente nao teve essa capacidade… apenas isso… volto a falar esse texto é algo deploravel… ele deveria conversar um pouco com o Alvaro Jose antes de postar tais falas.
E volto a falar nao sou outra pessoa que nao seja eu mesmo… lembrem-se nem todo mundo é igual e tem gosto igual… se voces gostaram ótimo… eu não gostei e momento algum eu me dirigi a vcs.. e sim ao texto do autor… por favor façam o mesmo.
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- Tizah » Postado em: 7 de agosto, às 22:32
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Em resposta ao Roger Flores:
Desculpa se meu comentário sobre Monkey Phelps te incomodou tanto. E olha que nem estamos falando de politica, fome ou outro assunto mais importante. Não tenho pq aceitar e concordar com tudo que vejo e leio na imprensa não é? Realmente não nado profissionalmente, somente por lazer mas ADORO natação. Acompanho natação em Olimpiadas há uns 12 anos. Phelps venho acompanhando desde as Olimpiadas de Sydney. Acho que conheço pelo menos o básico pra poder manifestar minha opinião, que não é fato e sim meramente uma opinião, fique tranquilo pq não vou sair fazendo um protesto mundial Anti-Phelps. Frequento um fórum sobre natação há uns 4 anos e diversas pessoas (compatriotas inclusive do idolatrado Phelps possuem a mesma opinião). Não questiono a técnica muito menos a habilidade que ele tem dentro da piscina. Isso é unânime, um excelente nadador. O que me incomoda é a sua arrogância. Ele não foi pego dirigindo alcoolizado um tempo depois de Atenas e ainda disparou para o policial: “você sabe com quem está falando?” Hmm, não consigo achar graça em atletas assim… Pelo que já lí em diversas crônicas esportivas, um dos responsáveis por elevar a natação ao que ela é hoje foi Ian Thorpe. Phelps vem dando sequência a isso. Agora, se um atleta só pode ser bem lembrado enquanto está no seu pico e depois que pára, tudo o que ele fez pelo esporte já não tem mais valor, culpe-se a memória curta né? Thorpe mantém uma Fundação de Caridade há anos que dá assistência a crianças e jovens aborígenes na Austrália incentivando-os também a praticar esportes. Será que ele é tão individualista assim? Agradeço sua informação sobre o Fenômeno Aquático mas temo que minha opinião e impressão sobre ele continuam sendo as mesmas.
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- Luis » Postado em: 8 de agosto, às 00:04
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Tizah essa opinião não é so sua… mas de uma grande maioria que conhece o Phelps… desde o primeiro post venho falando aqui sobre isso… essa “fantasia engraçadinha” criada por Bob eh alienante… Todos que conhecem o Phelps sabem de sua arrogancia… tanto que a sua própria chegada ao Pequim foi marcada por esta arrogancia… utilizei esse texto na sala de aula meus alunos… que conhecem muito bem o Phelps se esburracharam de rir… talvés ai esteja a ironia do Bob dizer que ele eh bacaninha… so pode. Sem contar que ele eh o produto de uma “fábrica” que nao leva em consideração o universo e aliberdade lúdica da criança… pois colocam crianças muito cedo para a prática esportiva de forma especializada somente visando resultados quantitativos… não quero este tipo de estimulo para meu filho nem mesmo para crianças brasileiras… quero ver o esporte como valorização do ser humano… e não como produto de um sistema que despreza as qualidades sócio culturais em detrimento do poder.
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- Rafael » Postado em: 19 de agosto, às 17:34
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Esse cara só pode ser igual a Pit-bull modificado geneticamente rsrsrs… grande atleta
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- Beth » Postado em: 19 de agosto, às 20:29
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Michael Phelps é o máximo !!! Arrasou nestas Olimpíadas, 8 medalhas de ouro !!! Tão cedo não se verá algo igual ou superior.
Concordo com tudo o que disse o Roger Flores.
Mas o que tem de invejosos por aí…
voces babakas ficam ai a puxar saco deste idiota do bernadinho .saibam q ele so tirou o ricardinho pra colocar o filhinho la.isso e tao baixo , tao podre q n da nem pra discutir e mais uma coisa imbecil e ele. fora este infeliz q so esta la por dinheiro
Isto em torna da MARI já está de encher o SACO! a mulher é ótima e colocam encima dela a perda do último título! BRASILEIRO É NARCISISTA E IDIOTA! MAS A IMPRENSA É UMA M…..
Olá! Quanto tempo. Godinho de volta! O Lukas é o Lukas, o Godinho é o Godinho o Phelps não é Félpis e o Fernandez segue sendo o Fernandez.
Rafael, o Lukas não é o Godinho.
Já o Fernandez continua sem sacar na-da de esportes. Creio, deveria se furtar de fazê-lo, seus textos na área de política são interessantes, a cobertura da Operação Satiagraha e desdobramentos foi muito boa.
Mas pôr esse rapaz pra tentar comentar futebol, vôleibol, basquetebol, natação, Copa do Mundo, cuspe-à-distância ou Olimpíadas é demais.
Por nada sacar, acaba - sempre - descambando pro lado sócio-político-econômico-sei-lá-mais-o-quê. Quando não comete uma gafe grande, como no caso da eliminatória que era final e que o Fernandez ouviu o galo cantar, só não soube onde.
E por mais que as (os) macacas (os) de auditório Fernandianas neguem, essa suposta versatilidade é indício de picaretagem. Sei porque sou assim, também.
Lanço, mais uma vez, o desafio que lancei à época da Copa da Alemanha:
- Fernandez, fale de esporte.
BEM FEITO AOS URUBUS DE PLANTÃO. A Mari deu um show e mostrou que não pode ser carniça na mão de jornalistas incompetentes e noivas frustradas!!
godinho, godinho, vc apanhou tanto do bob e dos comentaristas na copa da alemanha e depois na copa américa que até hoje não se recuperou. à sorrelfa, postando daqui e dali, continua a exibir as feridas. não entendeu até hoje que o bob fala de humanos, não importa que seja no esporte, na economia, na política… godinho, te esperamos na áfrica do sul para nova surra de varas e para ver você aqui sua bílis em forma de letrinhas.