Bob Fernandes

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AP

Hora de arrumar as malas e ir. Na memória, grandes feitos e malfeitos dos 11 mil atletas de 204 países. Os recordes mundiais foram 43, os olímpicos 132 e, também recorde, 87 países ganharam medalhas. De tudo para o gosto dos 21 mil jornalistas acampados por um mês ou mais na China.

Do já lendário orecchione Michael Phelps e seus 8 ouros e recordes aos 3 ouros do incrivelmente veloz – e bota incrível nisso - Usain Bolt, da fascinante, imbatível Isinbayeva e seu ouro numa noite de lua cheia e estádio lotado à brutal derrota do atirador  norte-americano Matt Emmons, que, assim como em Atenas, jogou fora no último segundo o ouro já garantido. Das glórias ao espetacular coice na cabeça do árbitro desferido pelo cubano do taekwondo, Angel Valodia, neste último dia de provas (veja aqui).

Na memória os gigantescos e os pequenos feitos, os acertos, as históricas voltas por cima e os erros dos brasileiros. Quinze medalhas, 3 de ouro, 4 de prata, 8 de bronze. Ganharam pouco e perderam muito, mas jogaram o jogo, com a força, o talento e as condições que têm.

 Ótimo que a fieira de grandes derrotas imponha o debate, aberto, sem conclusões precipitadas: o Brasil precisa mesmo perseguir o objetivo de se tornar potência olímpica, precisa mesmo de uma olimpíada regada a dezenas de bilhões de dólares de dinheiro público, ou precisa que todos possam ter a chance de acesso a escolas dignas do nome e à prática massiva de esportes?

 O Brasil deve lançar-se na formação de elites esportivas olímpicas ou deve investir pesado nas escolas e colher os frutos, inclusive esportivos, logo mais à frente? Sim, há na praça discursos a pregar que estas não são tarefas excludentes mas, contabilizadas as dezenas de bilhões que não sobram para isso e para aquilo, como manter em pé esses discursos?

 E um projeto que vá para além do olímpico pode ser desejo e missão de uma casta que decide seus negócios e planos a portas fechadas ou teria que ser fruto de um amplíssimo debate, portas escancaradas? Na China foi a portas fechadas. Porque a China é a China - não é justamente isso que os mesmos pregam, dizem, escrevem?

 Não há como desconhecer o perfil do Estado Chinês. Aqui mesmo nos corredores do hotel ele está presente. Hotel credenciado pelo Comitê Organizador e vizinho ao estádio Ninho de Pássaro. Vigilância absoluta.

Revista na entrada e saída do ônibus para o Centro de Mídia, camareiras em cada corredor do hotel, 24 horas por dia. Para anotar cada vez que um hóspede entra ou deixa o quarto, visita ou não visita um hóspede vizinho. À pergunta do por que tanto, a resposta: “Para sua segurança”.

 Apesar da presença e missão de contorno policialesco, do livrinho que tudo anota e guarda, comovedoras a dedicação, a disciplina o desejo das pobres meninas do interior em atender, agradar, ajudar, em receber bem quem veio à China. E sem aceitar um centavo como retribuição.

 Meio milhão de voluntários. Muitas vezes incômodos, outras tantas apenas by the book como quase tudo na China, como quase todo serviço no país, mas acima disso o desejo de receber bem.

 Com a régua e  compasso de sempre não é difícil perceber, medir o que é o Estado Chinês: um quarto da população da Terra, quase 10 milhões de quilômetros quadrados e inimigos recentes ou antigos ao longo da fronteira de 12 dos 24 países vizinhos, país que gere a um só tempo um dos mais radicais e ferozes experimentos da economia de mercado e um regime político dos mais fechados, comunista, de partido único e centralista.

 Visto isso vale a pena instigar: o que, como seriam os Estados Unidos, a Inglaterra, o Brasil… se tivessem este bilhão de bocas para alimentar, aridez em quase 70% do território e o cerco de inimigos históricos?

Além dos recordes e fracassos boa parte dos jornalistas buscou responder também a estas perguntas. Alguns já se foram, outros seguem por aqui, exaustos pela caça. Daí, talvez, o “não aguento mais, chega”.

Talvez, também charme, porque não há como não guardar a dimensão do que aqui se viu, viveu. Da emoção e talentos extraordinários nas pistas, quadras, piscinas, campos, ao Grande Show da Grande China.

 Espetáculo de US$ 45 bilhões montado pelo Estado Chinês para mostrar ao mundo a China que quer se mostrar. Espetáculo com 5 mil anos de histórias, dinastias de milênios, 30 milhões de mortos de fome sob Mao Tse-tung. Espetáculo esportivo, midiático, politico, que emocionou e enredou corações e mentes no mais populoso país do mundo. Diga o que disser, queira o que quiser o Ocidente.

Sei, quase todos sabemos que a poção do controle estava, está embutida na fórmula de Pequim 2008, mas nem por isso é menor a vontade de levar a China na memória. Da arrepiante e tecno-humana Festa de Abertura ao feérico encerramento neste domingo.

 Na saída do Ninho de Pássaro, nas rádios, televisões, pelas ruas de Pequim ainda ecoa o hino meloso-patriótico de Albert Leung (português e inglês), música me-pega-que-eu-quero de Xiao Ke. Sei, sabemos do veneno daquela canção, pueril mas veneno, e ela ficará enquanto memória existir.

Até a próxima.

 

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É ouro com choro, Brasil. Sheila jogou tudo e fez 19 pontos, Fabiana bloqueou 9 e fez 11, Paula Pequeno comandou o time no berro e pontuou 16. O time inteiro muito bem mas a noite foi, acima de tudo, de dois personagens. José Roberto Guimarães e Mari.

Ele, técnico campeão olímpico com a seleção masculina em Barcelona/92, carregado de títulos internacionais, mas também o comandante da nau feminina que afundou em Atenas e no Pan.

Ele e ela no centro das atenções. Ela vive uma batalha particular, um jogo dentro do jogo. O Brasil e o ginásio de olhos postos em cada gesto seu, respiração em suspenso por Marianne Steinbrecher, a Mari.

Aos 21 anos de idade, na semifinal contra a Rússia em Atenas/2004, Mari adentrou os portões do inferno. No Pan do Rio 2007, nova derrota coletiva, e pessoal. Luzes, câmeras, ação. Pequim. Faltam 15 minutos para as 8 da noite de 23 de agosto de 2008. Estados Unidos, o adversário na final do vôlei olímpico.

Com o time do Brasil, na quadra do ginásio Capital, Mari, a aniversariante, 25 anos. No roteiro, duas alternativas: tragédia ou glória. O primeiro ponto do Brasil é dela… que não vai numa bola que é sua e 3 a 1 para os EUA no começo da partida…

Fabiana joga muito, 6 a 6. Mari bate por cima do bloqueio, 10 a 9. Paula Pequeno berra a cada ponto, incendeia o time. Fim do primeiro ato, 25 a 15, com 4 pontos de Mari, bem no bloqueio também. Mari erra. Um a zero para os EUA no segundo set. Mari erra na recepção. Erra de novo. EUA 5 a 1.

Tensão na quadra, tensão na porção verde-amarela das arquibancadas. Mari erra escandalosamente na recepção. Oito a três para os EUA. Meu telefone começa a tocar, Brasil na linha. A mensagem é a mesma. Do que é publicável, “loser”, “amarelona”, “covarde”…

Sem olhar, num gesto mecânico, Mari bloqueia: 12 a 7. Ainda dá para virar. Mari bate e faz o 9º ponto do Brasil… Mari corta errado, 14 a 9. Não, não é mais apenas tática para impedir que a ponteira fique solta e ataque. Os Estados Unidos conhecem o roteiro, viram e reviram Atenas 2004. Bombardeiam Mari. Todos os saques em cima da número 3 do Brasil.

Mari erra, feio. Estamos a metros da quadra. A tensão entre as jogadoras, o banco, é quase palpável. Quatro anos no inferno, os olhos e bocas do Brasil sobre ela. O que pensa Mari enquanto desabam os saques americanos? Depois do jogo ela dirá.

Dezessete a treze e novas ligações do Brasil: “Esse cara é louco, essa amarela vai enterrar o Brasil de novo…” José Roberto Guimarães sente o drama nos 18 a 13. Sai Mari, entra Jaqueline. Mari no banco. Zé Roberto está à sua frente, mas não olha. Dá um tempo.

Mari volta com 23 a 16, vacila, e os Estados Unidos fecham: 25 a 18. Terceiro set e Zé Roberto banca. Mari 1 a 0. Tensão na quadra. Mari corta e faz 3 a 2… 5 a 3 e segue a tensão.

O time mal se cumprimenta a cada ponto. No saque, os EUA atacam Mari. Ela chama a bola, corta, bloqueia na volta. 7 a 4 para o Brasil. Nono ponto de Sheilla e… se ouve o berro. É a Mari, que se solta: “Porra!!! Porra!!!!”

Mari e Fabiana sobem no bloqueio, 11 a 6. Mari bate no bloqueio, 13 a 9. Saque em cima da Mari, e erro:13 a 11… Mari arrisca; não vai na bola fora e acerta: 20 a 12. Mari sobe, corta da ponta em diagonal e fecha o terceiro set: 25 a 13. Câmeras, ela no telão do ginásio. O time vibra, ela não move um músculo do rosto.

Cortada da seleção na reta final, agora comentarista do Sport TV, Carol explica: “Dentro da quadra a Mari é assim, é assim que ela se concentra”. Kim Willoughby, grande jogadora dos EUA, finda a partida responderia:

- Sim, sacar em cima dela era determinação tática…

Quarto set. Mari bate no fundo, e erra. Um a zero. Mari erra na recepção. Dois a zero. Meu telefone toca. Não atendo. Mari se joga, mas não consegue defender: 5 a 5. Nova ligação. É do Brasiiillll. “Por que a Mari…” Ela tenta uma defesa, quase se choca com uma cadeira no banco brasileiro.

Mari, 10 a 9. Longo rally, ela sobe e corta, no bloqueio, 12 a 11. O Brasil faz o 14º e Mari vibra na quadra. Zé Roberto aplaude. Bola duvidosa. Lang Ping, a chinesa que treina os EUA pede o ponto, Zé Roberto gesticula para a treinadora, entra na disputa com os juízes. E leva: 15 a 13.

Os EUA seguem sacando em cima de Mari, ela erra a recepção: 15 a 14. Mari defende, e corta: 15 a 15. Mari erra na recepção, 16 a 15… Mari empata: 20 a 20. Zé Roberto mexe no time, põe Thaisa para montar um paredão no bloqueio, mas 2 1 a 20. Fabiana empata, Fofão volta à quadra.

 Erro dos EUA, 22 a 21. Os EUA buscam Mari, Sheila faz 23 a 21. Urros na fileira de trás, a Tribuna de Imprensa treme. Como nos velhos e bons tempos de Copa do Mundo, enfim os colegas da bancada isenta, imparcial e objetiva, me sinto em casa…24 a 21, berros, murros na bancada, os imparciais se abraçam.

Me lembro de ter visto parecido mas ainda mais isento e objetivo, com muitas lágrimas, na semifinal Brasil e Holanda, Copa 98 depois dos pênaltis. Pequim, Olimpíada.

A bancada de imprensa está de pé…25 a 21…urros inumanos, canetas a voar, abraços, murros na table top, festa na quadra. Choro, muito choro. Na quadra, nas arquibancadas, é ouro com choro, Brasil.

Pose para os fotógrafos, terno escuro e gravata… e sinto pela ausência do Neguinho da Beija-Flor. Com toda aquela voz poderia anunciar, lá em meio aos torcedores:

- OLHA O NUZMAN AÍ, GENTE!!!!!!

Virna, ex-Seleção, comentarista da Band, na quadra. Mari leva o indicador esquerdo aos lábios e cobra: SILÊNCIO, CALEM A BOCA. O recado tem endereço certo. Não é para quem apenas criticou o que viu, é para os corvos, aqueles que se alimentam do erro, da desgraça alheia.

Desde a primeira partida estavam à espreita,  e aquiEm suas tocas, remoendo-se, cultivando os recalques, ressentimentos, torciam pelo fracasso de Mari, rezam pelo fracasso de Bernardinho e do filho Bruno amanhã.

Pergunta:

- Essa é uma resposta a quem te atacou, chamou de fracassada?

Resposta de Mari, 15 pontos na final:

- Fracasso é de quem não trabalha….sou campeã olímpica… vão ter que me agüentar…

Pergunta:

-Foi um bombardeio das americanas em cima de você, a coisa balançou no segundo set… elas esperavam uma quebra emocional? Que filme passou em sua cabeça naquela hora?

Resposta:

- Pode sacar em cima, pode bater à vontade, como bateram, eu… a gente tava preparada. Não teve filme, a gente sabia o que tinha que fazer.  

Choro, todas amontoadas no chão da quadra, medalhas, hino nacional, bandeiras, foto no pódio e lá em cima, à direita, ele.

Não o vi quando o Diego e a Jade caíram, quando o Wellinsson foi quase esmagado pelo peso, quando os Thiagos perderam e o João Derly chorou, quando a Fabiana perdeu e se desesperou, quando o Ronaldinho Gaúcho chorou, quando a Marta e as meninas choraram… Ele deve ter ligado, mandado um e-mail ou um fax… nós é que não soubemos.

Hoje ele entregou as medalhas e vai sair na foto. Senti falta do Neguinho da Beija-Flor a puxar:

- OLHA O NUZMAN AÍ, GENTE!!!!!

 

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  1. anônima brasileira » Postado em: 24 de agosto, às 17:52

    Muito boa a observação da presença do Nuzman só nas fotos de pódio (e isso qdo o Brasil é ouro!!)
    O Zé Roberto Guimarães foi mto astuto e inteligente em contratar uma psicóloga para o esporte (constatei isso numa reportagem q fizeram antes da final) para dar o apoio emocional e psicológico q mtos atletas não têm aqui.
    Agora consta lembrar q o esporte em si aqui no Brasil não tem apoio psicológico, emocional, funcional, financeiro (tem q ser a duras imploraçoes..) e etc. Abram os olhos empresários e governo. pelo menos façam como os EUA, só possuem bolsa integral nas melhores universidades o esportista amador d futuro e eles garantem uma boa educação e apoio d td que é tipologia para ele se tornar um Phelps da vida.

  2. Vânia RJ » Postado em: 25 de agosto, às 13:22

    O Brasil precisa é de cadeia pra os politicos corruptos,precisa de saúde ,salarios dignos,educação,moradia e principalmente os mesmos direitos a tds independente de credo,raça ou classe social

  3. jose marques sarmento » Postado em: 27 de setembro, às 10:28

    O FUTEBOL E SUAS FACES QUE NEM FREUD EXPLICA

    Por mais que se tenha amizade respeitosa e profunda por alguém na vida social, profissional, familiar, dentro das quatro linhas de jogo, ela termina no primeiro contato em disputa pela redonda de gomos sextavados, cheia de ar, que possui vontade de ser tratada com requinte por quem a procura para se divertir.
    Idéia que a mim surgiu de escrever esse texto depois de ver o documentário PRETO CONTRA BRANCO, jogo de final de ano que ocorre a mais de trinta na favela Heliópolis, a maior de São Paulo, que aborda a diversidade racial, exibido na tv cultura no dia 09/05/08 e ele passar em suas imagens e na relação que tinha os envolvidos de que nunca fugiu a regra de que é assim mesmo que acontece, por mais que seja insignificante para as partes a disputa.
    A bola no caso dessas partidas disputadas em muitos campos de terra pela periferia, passa a ser insignificante, vindo à baila a relação do querer do homem se sobrepor a qualquer evento que ocorra e que a ele seja exigido o seu melhor, mesmo porque a maioria não tem tanta intimidade com a pelota, levando muitas vezes à falta dessa intimidade, se dar bem mais e se tocarem também, chegando à pancadaria derrubar quem esteja afogando sua passagem em direção ao bom passe ou ao gol do adversário.
    Muito mais pelo poder de possuir a possibilidade de mais uma vitória, levam os jogadores amigos íntimos fora das linhas de jogo, engalfinharem-se e muitas vezes serem até mesmo intransigentes e transgressores nas agressões acintosa das disputas.
    Seria o cidadão buscando um ponto de apoio na roda-bola que gira inconstante sob seus pés, dando-lhe a eterna insegurança e por isso tentar se colocar com pseudo poder junto aos da mesma espécie?
    Claro que ninguém quer perder, mas muitos para não submergir a chance de ter ganhado nem que seja no futebol, usa e abusa de subterfúgio oriundos do seu caráter abnegado de querer o poder a qualquer preço, dando banana para o bom senso, não importando os meios para se chegar aos fins.
    Muito comum esse tipo de contato e afronta nas discussões entre os futebolistas que gostam desse esporte bretão, vindo à mofa calhar de existir desde ao cidadão que tenha alto grau de instrução ao mais perrengue nas atribuições intelectuais.
    Não só o entretenimento da peleja em luta pela bola e pelas pernas do adversário põe a pendência em dia, também à possibilidade de extravasar no dia do jogo, tudo que ficou grudado por dentro nos afazeres da semana, pela correia muitas vezes ser acima do que o suporta.
    Futebol é sinônimo de euforia, de tristeza, de luta, de intransigência, de o cidadão conhecer a outra parte do outro. Essa de o cidadão conhecer a outra parte do outro, é pôr ele para as disputas esportivas ou pô-lo no transito de São Paulo às seis da tarde de qualquer dia. Se você sentir que o cara não quer perder a qualquer custo, é porque é do tipo que quer levar vantagem até na hora de fazer sexo com a amante, já que com a esposa é comum ele não pensar mais, indo ele primeiro de encontro ao gozo, deixando-a desapontada e pensando na possibilidade de arrumar outro relacionamento.
    Viva o futebol que aproxima, mas também afasta e desliga o cidadão dos eventos que poderia ser resolvido por ele, escolhendo melhores políticos para os cargos que, de onde estarão, os guiarão para as vitórias ou as derrotas.
    No Brasil a maioria, é sabido, encontrou mais derrota que vitória, aja visto o débito que a sociedade abastada tem para com a população que ama o futebol assim como eu.

  4. ALDENIR SOUZA DOS SANTOS » Postado em: 3 de novembro, às 08:09

    Concerteza a Mari cresceu muito muito naquele jogo,depois de ter levado a culpa na última final.Agora ela se redimiu ou melhor ela evoluiu de Mari para a GRANDE MARI que tenho certeza que poderemos confiar na quela última bola do set.Parabéns a todos as meninas da seleção sem a ajuda de voces ñ deriamos nada.
    PARABENS.
    vamos continuar treinando “O TREINAMENTO LEVA A PERFEIÇÃO” de Marco Aurélio Velloso,meu técnico de vôlei em manaus.

  5. Pedro » Postado em: 11 de julho, às 19:57

    Mari é o orgasmo. Adoro!

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Maurren Maggi e a medalha de ouro (Foto: Marcelo Pereira/Terra)

É ouro no choro, Brasil. Amigas me ligam do Brasil para contar que grande diversão aí é chorar com os choros daqui - quase sempre de tristeza - e, enquanto choram, trocar telefones sobre quem chorou melhor. A Maurren, claro, também chorou, dessa vez de alegria.

Enredada no doping em 2003, suspensa por 2 anos, a Maggi levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima. Com 7,04m levou por um centímetro no salto em distância e fez história como a primeira mulher do Brasil a ganhar uma medalha de ouro em categoria individual.

Pelos ecos que chegam ressurgiu aí, logo em seguida ao grande feito de Maurren, certa patriotada midiática. Aquele constrangimento provocado pela habitual busca da emoção familiar diante das câmeras só não foi maior, me contam, porque Sofia, filha da Maurren, melou o clima ao dizer à mãe que preferia “a prata”.

Por aqui a Maurren fez toda a festa a que tem direito no estádio Ninho de Pássaro. Chorou, pulou, sapateou, correu pela pista, saudou os chineses, com bandeira vermelha em punho, e foi aplaudida de pé. Num clima de até-que-enfim choraram também jornalistas e comentaristas.

Mais do que compreensíveis as lágrimas de Robson Caetano, medalhista olímpico nos seus tempos de pista e agora analista do SportTV. Ele sabe quanto custa e quanto vale. Já os jornalistas…

História também faz o time de vôlei feminino, pela primeira vez na disputa do ouro. Amanhã contra as norte-americanas a final que pode redimi-las; diante de si mesmas antes de tudo mais. Atenas 2004 ainda está engasgada e quem vê de perto percebe que elas jogam com sangue nos olhos.

Para tanto o técnico José Roberto Guimarães tomou suas providências. Pagando do próprio bolso trouxe para Pequim uma psicóloga, contou a Terra Magazine Katia Rubio, professora da Faculdade de Educação Física da USP, pós-doutora e presidente da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte. Se vencerão ou não é uma outra história, mas até a semi-final não deram sinais da fragilidade de Atenas e do Pan 2007.

Na final também, e mais uma vez, o vôlei masculino. Pedreira o 3 a 1 contra a Itália. Quando tudo parecia perdido depois do 25 a 19 no primeiro set, Giba sacudiu o time que fechou com 25 a 18, 25 a 21 e 25 a 22. Dezessete títulos de alcance mundial em seu estupendo currículo, ainda assim Bernardinho comanda o time sob mais pressão do que nunca.

Ambas contra os EUA, as seleções de vôlei do Brasil jogarão pelo ouro e contra a aposta dos que torcem contra. Não confundir os corvos de plantão, aqueles e aquelas que se alimentam das derrotas alheias, com os que apenas não embarcam na presepada do “ouro, ouro” e rejeitam a patriotada de ocasião.

Aí e aqui os que em suas tocas se remoem com o sucesso alheio miram em Mari, no vôlei feminino, e em Bernardinho. Ela, por Atenas. Ele, porque o filho Bruno sabe jogar vôlei e está onde merece.

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  1. GPS Craniano » Postado em: 23 de agosto, às 14:15

    Beleza de trabalho Bob. O diário da China ta de mais. Belas imagens e idéias. Pelo visto voce se orientou bem por ai sem a minha humilde orientaçao. Abraço,
    GPS Craniano

  2. Ive » Postado em: 23 de agosto, às 15:22

    Bob Fernandes, sou estudante de jornalismo e estou acompanhando seu blog desde o começo dos jogos de pequim.
    Você sempre coerente, bem informado, é um orgulho tê-lo como participante ativo da mídia brasileira!
    Vi tantas bobagens serem ditas por ‘profissionais experientes’ nessas olimpíadas que é realmente reconfortante ler suas palavras.

    Um exemplo a ser seguido!
    Abraços!

  3. ANDRE SEIXAS » Postado em: 23 de agosto, às 17:12

    bob, as meninas mereceram, o ze roberto tambem, o que nao aquento sao dirigentes oportunistas quese aproveitam de alguns bons resultados.
    ao invez de fazer obras monstruosas como querem fazer em 2016, deveria ser investir no esporte, para talvez a alguns milhares de anos depois sermos uma potencia olimpica.

  4. Costa » Postado em: 24 de agosto, às 17:20

    hehehe…. Valeu por divulgar Rodrigo. Abro mão de todos os direitos autorais, pela benevolencia coletiva desses versos…

  5. RICARDO » Postado em: 25 de agosto, às 15:06

    E uma falta de respeito com os atletas do brasil,ganhar e bom mais temos q saber ,empatar e perder ,o q os pais ricos aposta nos seus atletas e bem mais q o brasil,PARABENS A TODOS VC,OLIMPICOS ,SAO TODOS OROS

montagem terra

Vou elevar Muricy Ramalho à categoria de filósofo. Não sei em que gramado da vida ele garimpou a frase, mas “a bola pune” é irretocável para definir o jogo em que o Brasil entregou o ouro para os EUA no futebol feminino.

A bola puniu com um 1 a 0 o domínio estéril, embalado por uma quantidade de passes errados, 62, que faria o Dalai Lama perder a paciência.

Certamente em algum livro de auto-ajuda o professor Vanderlei Luxemburgo capturou outra máxima: “O medo de perder tira a vontade de vencer”. Nesse momento Almanaque de Farmácia sapequemos outra filosofada, e essa vale não apenas para os futebóis, mas também para o conjunto da obra de até agora em Pequim e cercanias: “O medo de vencer leva à derrota”.

Numa entrevista publicada hoje pelo Terra, o técnico Dunga diz que Ronaldo Gaúcho e a seleção não necessitam de um trabalho psicológico. Não é o primeiro a pensar assim, e é claríssimo que os atletas brasileiros têm um profundo preconceito em relação ao divã. Auxílio que, para dar apenas um exemplo, Michael Phelps tem, e tem como algo indispensável.

Atletas brasileiros entendem as expressões “psicólogo”, “terapeuta”, como se fossem a marca da fraqueza e assim, enquanto não são levados a se fortalecer emocionalmente, perdem partidas, provas, batalhas em que poderiam ter vencido ou, ao menos, ido adiante. E choram, choram, o Brasil já chorou um rio Amazonas nessa Olimpíada.

Normalíssima a emoção na vitória, numa derrota ou outra, mas não é possível que esse vale de lágrimas verde-amarelo não signifique descontrole, uma bandeira gigantesca da falta de preparo emocional básico para uma competição de altíssimo nível como uma Olimpíada. Outro exemplo? Uma Copa do Mundo.

Alguém aí acha normal um super-astro, um atleta como Ronaldo Fenômeno chegar a uma Copa com a quantidade extra de arrobas que ele chegou à Alemanha? Ou outro super-astro como Ronaldo Gaúcho, com todo aquele talento, encolher nos momentos decisivos, entregar-se por quase meio ano e chegar a uma Olimpíada com aquele pandeiro?

Não se trata aqui de buscar “culpados” - a caça ridícula, esse hábito tão brasileiro da pessoalização após as derrotas -, mas fatos são fatos e nesses dias de Olimpíada em Pequim os fatos, e as fotos, falam por si.

O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman - que tem evitado perguntas de jornalistas sobre o desempenho do Brasil -, acha natural, normal, a reação de um atleta de alto nível como Diego Hypólito, e mesmo a do técnico Renato Araújo, após a queda no domingo?

O presidente do COB, preocupadíssimo com o “projeto olímpico Rio 2016″, considera normal, natural o que descreveremos abaixo?

O campeão mundial de judô João Derly chorou ao ser desclassificado, o judoca Eduardo Santos chorou, o atirador com pistola Júlio Almeida chorou, a nadadora Poliana Okimoto e a judoca Danielle Yuri choraram, como chorou a Claudinha armadora do basquete depois da derrota e como, ainda antes dos Jogos, chorou a Iziane também do basquete, como foi às lágrimas a Jade Barbosa, como chorou Clementino, o primeiro cavaleiro negro do Brasil numa Olimpíada, como chorou Fabiana Murer em busca da vara perdida, como se debulhou o Diego Hypólito enquanto se desculpava com “o povo brasileiro”, como foi às lágrimas hoje a maratonista Tânia Spindler, como chorou, e muito, o Ronaldinho, como choraram há pouco a Marta, a Cristiane e meio time…

Eles e elas têm vergonha na cara, eles e elas dão um duro danado enquanto a cartolagem só aparece na hora da foto do ouro e se esconde nas derrotas, elas e eles têm histórias pessoais duríssimas, lutam e lutaram como grande parte do povo brasileiro, eles e elas amam o Brasil e pelo Brasil sofrem, somos todos latinos, todos eles são gente honesta, honrada e há que respeitá-los antes de tudo…

Tudo isso é verdade, mas há nesse vasto chororô algo estranho quando se quer vencer em competições de altíssimo nível. O Cielo chorou com o ouro como a Isinbayeva chorou no pódio com o hino da Rússia, mas este é um outro choro.

Estas são as lágrimas de quem não temeu vencer, de quem superou tudo e chegou lá. De quem não foi paralisado pelo medo da derrota; sentimento natural, humaníssimo, mas competições desse nível medem, ao final, também isso: quem, quais, são capazes de superar os limites, as fraquezas humanas.

Nem todos choraram por não ultrapassar os limites, as variáveis são muitas, mas esse acima é apenas um elenco de fatos. De fotos.

Para que essas constatações não decorram apenas da frustração pela triste derrota das meninas há pouco, busquei ouvir alguém do ramo. A rapaziada do Terra Magazine acaba de conversar em São Paulo com Kátia Rubio, professora de Educação Física na USP com pós-doutorado na Universidade de Barcelona e presidente da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte.

Leia aqui entrevista que ela havia concedido esta semana sobre o despreparo de boa parte dos atletas brasileiros para uma competição como a Olimpíada, e encerremos com um resumo do que disse hoje.

Kátia Rubio não tem “dúvida alguma” de que falta a atletas brasileiros a preparação psicológica, emocional, “mais elementar” para lidar “com a pressão”.

Sobre a derrota da seleção feminina no futebol, ensina: “Seria exigir demais dessas meninas, que além de tudo vivem à sombra do futebol masculino, ter o gigantismo que uma decisão como essa demandava”.

Ronaldinho Gaúcho. Ela não o conhece pessoalmente nem a sua história e nem a ele se refere, mas entende que “todo atleta que passa por algum tipo de acidente de percurso” precisa de “um suporte psicológico”.

Quanto ao Vale de Lágrimas, a professora Rubio lembra que não foram apenas os brasileiros a chorar de frustração e cita Isinbayeva como exemplo clássico do pranto pelo sonho realizado. Mas, repete: “A demanda de uma final Olímpica é muita coisa…”

Em tempo: para quem não viu e também não quer saber mais do que isso, com um chute cruzado de esquerda da entrada da área, aos 6 minutos da prorrogação, Carl Lloyd fez o gol da vitória dos EUA.

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Comentários

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  1. Brasileiro Nato » Postado em: 22 de agosto, às 11:49

    O governo brasileiro está preocupado em quebrar records de salário para deputados e senadores e grandes saltos na corrupção nacional, só isso.
    RIO 2016 = VEXAME

  2. Maria » Postado em: 22 de agosto, às 13:31

    Palmas, palmas e palmas mais uma vez por este fantástico artigo! será que um dia tudo isto será aplicado?
    Obrigada mais uma vez …………….

  3. willian » Postado em: 22 de agosto, às 13:56

    Sincera e honestamente até parece telepatia, minha opinião e acredito que a de muito outros brasileiros fora brilhantemente espelhada neste texto. Só gostaria de acrescentar que chegou o momento de ocorrer uma democratização no esporte, sendo assim seria imprescíndivel o investimento em esportes com luta greco-romana, polo-aquático, boxe, remo, e tantos outros que vivem das quirelas deixadas pelo futebol( o masculino) e agora o volei, sendo que este primeiro demonstou por diversas vezes ser um péssimo investimento, pois são anos de busca por uma única medalha de ouro e eterno ostracismo para esportes que poderiam nos dar várias. Acredito que cabe a cada confederação e a imprensa pressionar o governo e a iniciativa privada na busca dessa tão sonhada democratização

  4. gabriel » Postado em: 22 de agosto, às 15:13

    Certamente precisamos de apoio psicológico. Temos um potencial imenso e poderiamos ser ainda mais vencedores, é claro que falta apoio do governo, patrocinio e várias coisas, mais nosso desempenho nessa olimpiada deixa claro que faltou nervos aos atletas que estão lá, o judo é um exemplo claro, excelentes resultados ao longo dos anos e nos jogos apenas medalhas “sofridas” de bronze. Quem manda no corpo é o cerebro, sem ele no controle, nada feito!

  5. Thiago » Postado em: 23 de agosto, às 18:42

    bob, parabens pelo texto.
    Mas a foto do João Derly não tem muita relação com o medo de perder ou desequilibrio emocional numa luta decisiva. Ele perdeu por conta de decisões polêmicas do árbitro.
    Mas como exemplo de atleta que é, não questionou o juiz e compreendeu que isso faz parte do esporte….

Bob Fernandes cobriu a Copa América de 2007 pelo Terra Magazine e, como cronista, esteve em três Copas do Mundo.